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Fora da Trilha | Capítulo 1

7 de ago.
2 min de leitura
Texto escrito pelo diretor: Antonio Cardoso Junior

Quando a experiência deixou de ser requisito para ensinar?


Há alguns dias venho observando uma situação que, talvez, não seja só uma percepção minha. Gostaria, inclusive, de saber se ela também faz sentido para você.


Homem decidindo qual caminho seguir

Vivemos uma época em que nunca tivemos tanto acesso ao conhecimento. Em poucos minutos encontramos cursos, livros, vídeos, podcasts e especialistas capazes de explicar praticamente qualquer assunto. Em tese, isso deveria nos tornar profissionais mais preparados e organizações mais maduras. No entanto, a sensação que tenho é exatamente a oposta: quanto mais conteúdo consumimos, mais difícil parece encontrar pessoas que falem a partir da experiência e não apenas da teoria.


Não estou fazendo uma crítica ao conhecimento acadêmico. Muito pelo contrário. Sempre acreditei que estudar amplia nossa visão e evita muitos erros. O problema começa quando a teoria passa a substituir a vivência. Existe uma diferença enorme entre compreender um conceito e sentir o peso das decisões que aquele conceito exige quando sai do papel.


Talvez seja por isso que algumas conversas tenham perdido profundidade. Fala-se muito sobre liderança, mas pouco sobre liderar quando a equipe está desmotivada. Fala-se sobre inovação, mas raramente sobre o desconforto de apostar em uma ideia que pode fracassar.


Discutimos estratégia como se ela fosse um modelo pronto, quando, na prática, estratégia quase sempre nasce em meio à incerteza.


Olhando para a minha própria trajetória, percebo que as maiores lições nunca vieram dos momentos em que tudo estava funcionando. Vieram justamente das situações em que foi preciso decidir sem ter todas as respostas, aprender áreas completamente diferentes e conectar conhecimentos que, à primeira vista, pareciam não ter relação entre si. Foi assim na hotelaria, na tecnologia, na inovação, no relacionamento com pessoas, na educação e em tantos outros ambientes pelos quais passei. Em todos eles, descobri que os problemas mudavam de nome, mas a essência permanecia a mesma.


Foi essa percepção que me levou a escrever esta série fora da trilha.


Não para apresentar respostas, muito menos para defender um modelo de carreira. Quero propor conversas sobre aquilo que normalmente não aparece nas palestras, nos cursos ou nos livros. Quero falar sobre as escolhas, os erros, as mudanças de direção, as conexões improváveis e sobre tudo aquilo que só faz sentido depois que se vive.


Acredito que existe um número enorme de pessoas que construiu muito, mas fala pouco. Da mesma forma, talvez estejamos vivendo um tempo em que muita gente fala bastante sobre coisas que nunca precisou construir. Não escrevo isso como uma crítica, mas como um convite para refletirmos sobre o valor que estamos dando à experiência.


É por isso que este espaço não será apenas meu.


Ao longo desta série, quero trazer pessoas que tenham histórias reais para contar. Não importa a profissão, a idade, o cargo ou o tamanho da empresa. Interessa muito mais a vivência do que o currículo. Se você acredita que aprendeu algo importante construindo, errando, recomeçando ou mudando de caminho, talvez tenha uma conversa que vale a pena compartilhar.


No fim das contas, acredito que são essas histórias que realmente ampliam a nossa forma de enxergar o mundo.


E talvez a pergunta que fique seja simples: estamos valorizando mais quem sabe explicar... ou quem realmente viveu aquilo que explica?

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